A gente errou, enquanto humanidade, quando o coletivo ganhou o individual


Pensar na existência carnal é entender que cada um tem sua própria existência, ou deveria ser assim. Mas infelizmente enquanto humanidade, para facilitar, preferimos agrupar as experiências individuas  e esquecemos que cada um sente, vive, se expõe de forma diferente um do outro.

O diferente não é errado.

Talvez foi preguiça de tentar entender cada um, talvez o discurso que o Coletivo tem mais força enobreceu além do esperado. 

E é fato, não há como negar que a função do Coletivo em ser grito, em querer promover mudanças é de suma importância em nosso dia a dia, nas lutas diárias e que são coletivas (o racismo, por exemplo, não é só de um para um, é uma luta coletiva; assim como a homofobia, transfobia, xenofobia). O Coletivo tem isso de promover, seja debates, lutas, vitórias; mas nunca o Coletivo deveria ser parâmetro para ignorar o ser que cada um é (sozinho).

Ser quem somos, por dentro e construídos, reconstruídos, é a melhor coisa que podemos fazer. Nem sempre essa versão estará de acordo com o que o Todo deseja ou espera de nós. Não temos os mesmos desejos, sonhos, sentimentos mesmo dentro de uma mesma luta.

As vivências são distintas, o viver é diferente. Erramos ao tentar colocar todo mundo no mesmo pacote e depois sacudi até pular um para colocar num pedestal como modelo dos demais.

Enquanto ficarmos coletivando sentimento, ações, falas como se cada um fosse agir dentro daquele manual de instruções, estamos perdendo o real sentido de se agrupar.

Comentários